Agrupamento de Escolas D. Francisco Manuel de Melo

Um mundo inteiro por descobrir...

 

 

 

 

Tudo quanto em outra idade
se fez amar e querer,
antes de bem se entender,
ali mandava a verdade
que se fosse a conhecer.

in "O CANTO DE BABILÓNIA"

                     D. Francisco Manuel de Melo , 1608 - 1666

 

D. Francisco Manuel de Melo nasceu em Lisboa em 23 de Novembro de 1606, época da dominação filipina em Portugal.

Na sua condição de fidalgo, ligado à mais alta nobreza, teve uma educação  marcada pelo estudo no colégio jesuíta de Santo Antão, adquirindo uma vasta cultura erudita e prestou serviço nas armadas espanholas. Frequentou a corte madrilena, grande centro político e cultural da península.

Tendo combatido na Flandres ao serviço de Espanha, foi encarregado em 1640 de reprimir a revolta da Catalunha; no entanto, nesse mesmo ano, a restauração da independência portuguesa fê-lo cair em desgraça. Permaneceu preso durante quatro meses, por suspeita de apoiar a independência de Portugal e libertado após conseguir ilibar-se.  Em 1641,  foi encarregado de algumas missões diplomáticas e, no mesmo ano, acaba por desertar, aproveitando a sua estadia na Flandres, aderindo à causa da Restauração da independência,  apoiando D. João IV de Portugal, prestando-lhe apoio militar e diplomático.

Em 1644 foi preso como cúmplice no assassínio de um criado do conde de Vila Nova, sendo tratado com grande rigor pelo rei, apesar do empenho com que se defendeu e da intercessão pessoal de Luís XIV de França. Teve na  Torre de Belém um dos seus locais de reclusão. Permaneceu na prisão até 1655, seguindo depois como degredado para  o Brasil  (Baía), onde viveu três anos e de onde só voltou em 1658, após a morte de D. João IV. O conde de Castelo Melhor reabilitou-o e confiou-lhe importantes missões diplomáticas, voltando a ser uma personagem marcante na vida académica literária e na corte nos últimos anos da sua vida. Em 1666, ano da sua morte, foi nomeado deputado da Junta dos Três Estados.

Escritor bilingue, pertencente tanto à história da cultura portuguesa como espanhola, foi um representante típico da aristocracia da época e figura cimeira do barroco português.

A sua obra estende-se pelos mais variados géneros - poesia, teatro, doutrina política e militar, genealogia, biografia; foi memorialista e historiador, servindo-lhe Tácito de principal modelo. Foi ainda crítico de costumes, moralista, epistológrafo, cabalista, precursor dos volumosos trabalhos de compilação poética e de bibliografia que viriam a realizar-se no tempo de D. João V. Tem uma extensa obra bilingue que ocupa um lugar de relevo em qualquer das literaturas peninsulares, sendo um dos grandes prosadores da língua portuguesa da época barroca.

Destacou-se como animador da «Academia dos Generosos», agremiação literária barroca.

Publicou, em vida, um total de vinte obras; outras saíram postumamente.

Editou, já em 1628, um conjunto de sonetos, mas a sua obra poética foi posteriormente reunida no volume Obras Métricas (1665), cujas composições são tipicamente barrocas, quer pelo estilo, influenciado pela obra de Góngora, quer pela temática (destacando-se o motivo do desconcerto do mundo)  e espalham simultaneamente a tradição renascentista e maneirista portuguesa.

No teatro, destaca-se o Auto do Fidalgo Aprendiz (anterior a 1646), em parte na linha da comédia vicentina, sátira da fidalguia provinciana. Os seus textos de crítica de costumes (Relógios Falantes, Escritório Avarento, Visita das Fontes) e o Hospital das Letras, volume de crítica literária (o primeiro que se conhece em língua portuguesa), constituem os Apólogos Dialogais (edição póstuma de 1721, que contém o Hospital das Letras, a primeira revisão crítica geral de autores literários antigos e modernos que se conhece na nossa língua). D. Francisco Manuel de Melo foi ainda autor de textos moralistas, Carta de Guia de Casados e Obras Morales (1664) defendendo uma tal preponderância do marido que, já na época, parece ter escandalizado o elemento feminino. Não chegou a casar-se, embora deixasse um filho e uma filha. Escreveu  obras políticas e panfletos polemistas (Política Militar, 1638, Aula Política), um volume de memórias escrito na prisão (Cartas Familiares, 1664) e uma importante obra historiográfica, que inclui cinco Epanáforas, (1660) sobre temas da história portuguesa e História de los Movimientos y Separación de Cataluña (1645) obra clássica da literatura espanhola.  Destacamos ainda oTratado da Ciência Cabala.

  Aristocrata cosmopolita, D. Francisco reflecte tanto o espírito cortês e galante do seu tempo quanto o desassossego do espírito barroco, marcado pela inquietação do desconcerto do mundo que nele se redime, por vezes, numa dimensão religiosa.

FONTES: Enciclopédia Universal Multimédia On-Line, Dicionário de História de Portugal (dir. Joel Serrão), História da Literatura Portuguesa (de A.J. Saraiva e Óscar Lopes). Para referências bibliográficas completas, contactar através de e-mail da escola.            


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Última actualização: 07/01/09.